BR – Dossiê do nosso esporte

27 de Fevereiro de 2012 at 17:01 Deixe um comentário

Conforme já publicamos, anos de 1966 e 1967 foram marcantes para a mudança e
> evolução do futmesa brasileiro.
>
> Foi em 1966, naquele torneio de aniversário da Liga Caxiense, que os baianos
> Oldemar Seixas e Ademar Carvalho, convidados especiais para o evento,
> fizeram uma partida demonstrativa da Regra Baiana que agradou a todos os
> presentes. Os gaúchos, acostumados com os times formados por botões com
> cores e tamanhos diferentes, ficaram encantados com a padronização e
> personalização dos botões baianos. Foi desta apresentação que surgiu a idéia
> de unificação das regras Gaúcha e Baiana, pelos então presidentes da
> Federação Rio-grandense e da Liga Caxiense de Futebol de Mesa, Srs. Gilberto
> Ghizi e Adauto Sambaquy, respectivamente. Os dois passaram a estudar ambas
> as regras, capítulo por capítulo, tentando adequá-las para a unificação.
> Ainda em dezembro deste ano, no congresso de abertura do Campeonato Estadual
> Gaúcho, em Caxias do Sul, Gilberto e Sambaquy apresentaram o projeto da nova
> regra a todos os participantes do campeonato que o aprovaram por
> unanimidade.
>
>
>
> Entre os participantes deste congresso estavam botonistas de expressão da
> época como Paulo Borges, Fausto Borges, Claudio Saraiva, Sergio Duro e Clair
> Marques.
>
> Com a aprovação de todos, no mês seguinte, mais precisamente no dia oito de
> janeiro de 1967, Gilberto e Sambaquy foram para Salvador na Bahia, onde
> aconteceu a famosa reunião com a intenção de unificar as regras de futmesa
> praticadas principalmente nos estados do Rio Grande do Sul, Bahia,
> Pernambuco, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba. Surgia então a atual
> “Regra Brasileira Um Toque Disco”. A comissão original da Regra Brasileira
> foi composta por Ademar Carvalho, Nelson Carvalho, Roberto Dartanhã e
> Oldemar Seixas, pela Bahia, Adauto Celso Sambaquy e Gilberto Ghizi pelo Rio
> Grande do Sul.
>
>
>
> Foi a partir daí que se iniciou o processo de implantação da Regra
> Brasileira no Rio Grande do Sul e deu-se a ruptura com a Federação
> Rio-grandense de Futebol de Mesa que não aceitou a nova regra.
>
>
>
> - Como explicar esta ruptura?
>
> - Não era Gilberto Ghizi, o então presidente da Federação Gaúcha de Futebol
> de Mesa?
>
> - Não foi ele um dos autores do projeto e um dos criadores da Regra
> Brasileira?
>
>
>
> Pois é... Muitas dúvidas permanecem até hoje sobre o que realmente
> aconteceu.
>
> Para esclarecê-las, nada melhor do que o relato de pessoas que participaram
> ativamente deste processo. Em conversa com os amigos Adauto Sambaquy e Clair
> Marques conseguimos elucidar muitos fatos obscurecidos ao longo do tempo e
> que agora podem nos dar todo o entendimento sobre esta divisão que, de certa
> forma, ainda existe no futmesa gaúcho.
>
>
>
> Tudo começou em Caxias do Sul
>
>
>
> Tudo começou quando Lenine, então presidente da Federação Rio-grandense de
> Futebol de Mesa, num gesto pioneiro, foi a Caxias fazer uma demonstração da
> sua regra. O evento aconteceu no Recreio Guarany onde Lenine, que já era
> fabricante de botões, apresentou sua linha de produtos: botões, goleiros,
> bolinhas, traves e mesas para prática do esporte.
>
> Nesta ocasião, além do Recreio Guarany que reunia um bom número de
> botonistas e passou a contar com várias mesas e times, outras agremiações,
> especialmente bancárias, presentes ao evento também adquiriram material de
> Lenine. O representante da Associação Atlética Banco Brasil (AABB) era
> Raymundo Antonio Rotta Vasques, que adquiriu uma mesa e dois times de botão
> de plástico LIONE.
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 096a
>
> Sambaquy na AABB de Caxias do Sul
>
>
>
> Em maio de 1963, realizou-se o primeiro campeonato dos bancários organizado
> com a participação de adultos em Caxias do Sul. A competição foi organizada
> por Marcos Lisboa e aconteceu no Sindicato dos Bancários de Caxias do Sul,
> cujo presidente era Dauro Brandão de Mello, gremista e aficionado pelo
> futmesa. Participaram dez técnicos representantes do Banco da Província,
> Banco do Estado do Rio Grande do Sul (hoje Banrisul), Sul Banco (depois
> Banco Sulbrasileiro e depois Banco Meridional), Banco Nacional do Comércio e
> Banco do Brasil, onde Sambaquy havia ingressado a um mês, em abril. Os três
> primeiros classificados foram representantes do Banco do Estado do Rio
> Grande do Sul: Marcos Lisboa, campeão, Renato Miller e Delesson Orengo
> ficaram empatados em segundo lugar e Adauto Celso Sambaquy, único
> representante do Banco do Brasil, ficou com a quarta colocação.
>
>
>
> “Em 1963, quando eu comecei no Banco do Brasil e descobri que havia um
> departamento de futebol de mesa, lá estava uma mesa, fabricada pelo Lenine,
> e dois times de plástico de marca LIONE, um verde e um azul. Como eu tinha
> os meus puxadores, não jogaria com eles. Quem os utilizava era o Rubem
> Bergmann que  estava iniciando, apesar de já ser idoso na época.” (Sambaquy)
>
>
>
> Dauro Brandão de Mello
>
> Dauro Brandão de Melo, presidente
>
> do Sindicato dos Bancários
>
> de Caxias do Sul em 1963
>
>
>
> Em junho deste ano, realizou-se o Primeiro Campeonato Interno da AABB com a
> participação de onze botonistas. Sambaquy conquistou o título de campeão
> ficando Paulo Fabião em segundo, Ivan Mantovani em terceiro e Roberto
> Grazziotin em quarto.
>
> Em agosto, realizou-se o Primeiro Campeonato Caxiense de Futebol de Mesa
> também no Sindicato dos Bancários. Marcos Lisboa sagrou-se campeão e
> Vanderlei Duarte vice-campeão. No ano seguinte, 1964, repetiu-se a mesma
> seqüência de campeonatos em Caxias do Sul.
>
>
>
> Surge a Liga Caxiense de Futebol de Mesa
>
>
>
> A Liga Caxiense de Futebol de Mesa foi criada em 1965 dentro da Regra
> Gaúcha, criada por Lenine Macedo de Souza.
>
> Apesar do rápido crescimento do futmesa os caxienses ainda não eram
> convidados para participar dos campeonatos estaduais. Neste sentido,
> Sambaquy tomou a iniciativa de enviar uma carta para a Federação
> Rio-grandense de Futebol de Mesa, e foi informado que para participar das
> competições oficiais seria necessário ter uma entidade caxiense filiada a
> FRFM. Em junho de 1965, Lenine Macedo de Souza, acompanhado dos botonistas
> Cláudio Saraiva e Renato Ramos, agora presidente da FRFM, foram a Caxias do
> Sul passar orientações para possibilitar a almejada filiação dos caxienses.
>
> Foi assim que os caxienses, liderados por Adauto Celso Sambaquy, no dia 1°
> de julho de 1965, nas dependências do Diretório Acadêmico "Amaro
> Cavalcanti", da Faculdade de Ciências Econômicas de Caxias do Sul, fundaram
> a Liga Caxiense de Futebol de Mesa. A primeira diretoria da Liga foi então
> eleita e ficou assim constituída: Presidente: Adauto Celso Sambaquy, Vice
> presidente: Antonio Carlos Oliveira, 1º Secretário: Saul Henrique Vanelli,
> 2º Secretário: Deodato Maggi, 1º Tesoureiro: Delesson Orengo e 2º
> Tesoureiro: Sérgio Calegari.
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 10d1
>
> Jonas, Ruaro, Agenor, Augusto, Peleti, Jorge Resende, Sambaquy e Rudy Vieira
>
> Na sede social do Vasco da Gama, onde hoje se encontra a AFMA CAXIAS DO SUL.
>
>
>
> No dia seguinte, em comemoração a criação da Liga, foi realizado o Primeiro
> Torneio Intermunicipal do Rio Grande do Sul. Nele apresentaram-se grandes
> nomes do futebol de mesa gaúcho e brasileiro, de Porto Alegre: Lenine Macedo
> de Souza, Carlos Saraiva (campeão gaúcho da época), Renato Ramos (então
> presidente da FRFM), Antonio Azevedo, Sérgio Duro e Gilberto Ghizzi; de
> Caxias do Sul: Marcos Lisboa, Vanderlei Duarte, Sérgio Calegari, Deodato
> Maggi, Raymundo Vasques e Adauto Sambaquy.
>
> Ainda em 1965 a Liga Caxiense já enviou representantes para o Campeonato
> Estadual e conseguiu o vice-campeonato com Deodato Maggi, sendo Paulo Borges
> o campeão.
>
>
>
> O Torneio de Primeiro Aniversário da Liga Caxiense
>
>
>
> Começa o ano de 1966 e Caxias do Sul surge como grande força do futmesa
> gaúcho. A fundação da Liga Caxiense e a conquista do vice-campeonato
> estadual colocam a cidade em posição de destaque no esporte a nível
> estadual. A FGFM elege Gilberto Ghizi como presidente que passa a dar
> créditos para a nova entidade do futmesa gaúcho.
>
> Foi neste clima que em junho de 1966, comemorando seu primeiro aniversário,
> a Liga Caxiense, promoveu um torneio em que reuniu grandes botonistas do Rio
> Grande do Sul além dos baianos Oldemar Seixas e Ademar Carvalho, convidados
> especiais do evento. Foi neste torneio, jogado na Regra Gaúcha, que o Rio
> Grande do Sul conheceu os botões padronizados, com as cores e distintivos
> dos clubes, utilizado pelos baianos. Ademar Carvalho, mesmo jogando em uma
> regra bem diferente da sua, acabou ficando com o vice-campeonato. Após o
> término do torneio os baianos fizeram uma demonstração da “Regra Baiana” em
> uma mesa especialmente construída para este fim. Os gaúchos ficaram
> encantados com a beleza e plástica imprimida naquele sistema. O clima de
> interação dos gaúchos com os baianos foi tão grande que FRFM homenageou os
> convidados baianos com o primeiro e segundo “Botão de Ouro”, prêmio
> concedido somente a grandes personalidades do futmesa.
>
>
>
> “A Federação Rio-grandense elegeu Gilberto Ghizi como presidente. O Ghizi
> aproximou-se da Liga Caxiense, notando desde cedo o nosso valor. Nesse ano
> promovemos o Torneio de 1º aniversário da Liga, e convidamos os botonistas
> de diversas cidades gaúchas. Convidamos também ao baiano Oldemar Seixas, com
> o qual mantínhamos correspondência. Para nossa surpresa Oldemar aceitou o
> convite e trouxe consigo Ademar Dias de Carvalho. Pediram os baianos que
> conseguíssemos para eles uma tábua de 2,20 x 1,60, lixas e sarrafos para as
> laterais. Queriam demonstrar o futebol de mesa que eles praticavam. O
> torneio de aniversário foi realizado na regra Gaúcha e foi emocionante até o
> final, pois Ademar Carvalho, com seus botões padronizados e bem maiores dos
> que os nossos chegou à final, perdendo por um lance infeliz, quando ao
> atrasar a bola ao goleiro, com o peso do botão, jogou goleiro e bolinha para
> dentro do gol. Ficou com o vice-campeonato, sobrepujando ícones da regra
> gaúcha. Após o encerramento e entrega dos troféus, os dois baianos fizeram
> uma demonstração do futebol praticado na boa terra. Não dá para descrever a
> admiração de que todos foram tomados. Ao ver dois times padronizados em
> campo (nós jogávamos com botões de diversas cores, bastava nos adaptarmos a
> eles, formando um time sem ter um padrão definido), com jogadas executadas
> com precisão, todos manifestaram-se admirados. Isso chamou a atenção do
> Ghizi, e, em conversas trocávamos idéias sobre uma regra que unisse a nossa
> com a deles. Com a grande vantagem de todo nordeste do país estar jogando a
> regra baiana. Quem sabe, assim, poderíamos ter um campeonato brasileiro da
> modalidade. No restante do ano fomos alimentando a idéia e juntando partes,
> até que o Ghizi conseguiu um anteprojeto de uma regra que trazia muito da
> gaúcha e muito da baiana.” (Sambaquy)
>
>
>
> O Campeonato Gaúcho de 1966 em Caxias do Sul
>
>
>
> O sucesso do torneio foi tão grande que Gilberto Ghizi solicitou que a Liga
> Caxiense organizasse o Campeonato Estadual de 1966 em Caxias do Sul.
> Sambaquy e sua equipe organizaram um campeonato impecável! Pela primeira vez
> a competição aconteceu em três categorias: infantil, juvenil e adulto. O
> campeonato aconteceu dia 22 de dezembro e os jogos aconteceram no Colégio do
> Carmo. O alojamento gratuito, de todos os participantes foi no Seminário
> Diocesano de Caxias do Sul. A premiação dos campeões foi dobrada, pois a
> FGFM concedeu troféus para os campeões e a Liga Caxiense também premiou com
> troféus os campeões e vices-campeões de cada categoria.
>
>
>
> guizi
>
> Gilberto Ghizi, presidente
>
> da FRFM em 66/67
>
>
>
> O campeonato foi um sucesso! Sambaquy, responsável pela organização, também
> recebeu da FRFM o “Botão de Ouro”, das mãos de Paulo Borges e na presença de
> Gilberto Ghizi, em reconhecimento pelo seu trabalho e dedicação ao esporte.
> Além dos caxienses, o torneio reuniu botonistas de Porto Alegre, Rio Grande,
> Arroio Grande, São Leopoldo e Rosário do Sul, entre eles: Carlos Saraiva,
> Fausto Borges, Paulo Borges, Cláudio Cavalcanti, Sérgio Duro, Sérgio
> Calegari, Clair Marques e Luiz Alberto Chiacchio. O título da categoria
> adulto ficou para Carlos Saraiva de Porto Alegre e o vice-campeonato com
> Fausto Borges de São Leopoldo.
>
>
>
> “Aceitamos a incumbência e nos colocamos em campo no sentido de realizarmos
> um grande campeonato. Combinei com o Ghizi que seriam disputadas três
> categorias: adulto, juvenil e infantil. E assim foi feito. Conseguimos o
> alojamento no Seminário Diocesano, pois os seminaristas estavam em férias e
> sobraram camas para todos os participantes do campeonato. Um restaurante em
> frente ao Colégio do Carmo fornecia a comida. Tudo pronto e o pessoal começa
> a chegar!” (Sambaquy)
>
>
>
> Nesta foto tirada durante a cerimônia de premiação e encerramento do
> Campeonato Estadual Gaúcho de 1966, realizado em Caxias do Sul, algumas
> figuras importantes do futmesa estavam presentes e são identificadas pelo
> amigo Clair Marques:
>
>
>
> gauchão 1966
>
>
>
>
>
> “Eu sou o que esta no canto da mesa do lado esquerdo. O Sambaquy está bem no
> centro entre as duas janelas. O que está do lado esquerdo do Sambaquy, com
> rosto redondo e cara de chinês, é o meu bom amigo Paulo Borges, que era
> joalheiro em POA. Uma pessoa maravilhosa que gostaria muito de reencontrar.
> Mandou fazer o meu time bordô padronizado, de somente uma camada de quatro
> mm, com dois furos bem mo meio dos botões, pareciam mesmo grandes botões
> feitos de galalite, os cinco defensores eram maiores que os cinco atacantes.
> Foi um time inesquecível a Internazionale. Do lado direito do Sambaquy,
> pulando um dos componentes da foto, de camisa escura e sorrindo, é outro
> amigo chamado Gilberto Ghizi que era o presidente da FRFM. Na ponta do lado
> direito, de bigode e camisa branca, é o Sérgio Calegari, trabalhava junto
> com o Sambaquy no Banco do Brasil.” (Clair Marques)
>
>
>
> A reunião de abertura do Campeonato
>
>
>
> Como é de costume antes de iniciar a competição realizou-se a reunião de
> abertura da competição. Esta reunião foi organizada e conduzida pelo
> presidente da Federação Rio-grandense de Futebol de Mesa, Sr. Gilberto Ghizi
> e aconteceu no Seminário Diocesano onde todos estavam hospedados. Ghizi
> apresentou o anteprojeto da nova regra a todos os participantes e sugeriu
> que o mesmo fosse levado para a Bahia para ser apresentado e avaliado,
> juntamente com os botonistas nordestinos, numa tentativa de unificação da
> regra, que possibilitaria a realização de competições nacionais. Como todos
> tinham o desejo de participar de competições a nível nacional aprovaram por
> unanimidade a proposta da FGFM e autorizaram Gilberto Ghizi, como Presidente
> da FRFM e Adauto Sambaquy, como Presidente da Liga Caxiense, a levarem o
> anteprojeto para a Bahia.
>
>
>
> “O próprio Ghizi, como maior autoridade da Federação fez a apresentação do
> protótipo da regra que levaríamos para a Bahia. A reunião foi realizada no
> Seminário Diocesano de Caxias, onde havíamos hospedados todos os
> participantes. Por isso,  toda a iniciativa coube à Federação Rio-grandense
> de Futebol de Mesa, com o respaldo da Liga Caxiense de Futebol de Mesa.”
> (Sambaquy)
>
>
>
> A reunião em Salvador
>
>
>
> No dia 8 de janeiro de 1967, Gilberto Ghizi e Adauto Sambaquy iniciam uma
> verdadeira maratona em direção a Bahia para levar o anteprojeto da nova
> regra e tentar a almejada unificação do esporte a nível nacional.
>
>
>
> “Ghizi saiu de Porto Alegre e eu de Caxias do Sul e, de ônibus, fomos a
> Salvador. De 8 de janeiro até o dia 22, a maratona foi enorme. Várias noites
> ficávamos discutindo as possibilidades de unificação, com vistas a criação
> da regra e realização de Campeonatos Brasileiros.” (Sambaquy)
>
>
>
> Chegando a Salvador, Ghizi e Sambaquy foram recebidos pelo amigo Oldemar
> Seixas e juntos formaram uma a comissão para definir a nova regra do futmesa
> brasileiro. Fizeram parte desta comissão: Ademar Carvalho, Nelson Carvalho,
> Roberto Dartanhã e Oldemar Seixas, pela Bahia, Adauto Celso Sambaquy e
> Gilberto Ghizi pelo Rio Grande do Sul.
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 018 (2)
>
> Ghizi, Sambaquy e Oldemar Seixas na Bahia em 1967
>
>
>
> Foram três dias de reuniões na sede da Liga Baiana de Futebol de Mesa onde
> após a apresentação de Gilberto Ghizi houve apenas uma divergência para
> confecção da nova regra. Como havia uma proposta de redução do tamanho das
> mesas em relação à utilizada pelos baianos, eles sugeriram que, como os
> gaúchos, de qualquer forma, teriam que construir novas mesas e que as deles
> já estariam confeccionadas, fossem adotadas as medidas utilizadas por eles.
> Além dos desportistas baianos que já as utilizavam, os pernambucanos,
> sergipanos, potiguares e paraibanos também já teriam as mesas prontas.
> Muitas entidades teriam dificuldade em confeccionar novas mesas o que
> poderia ser um entrave para a aceitação da Regra Brasileira. Com a sugestão
> aceita pelos gaúchos, chegaram ao consenso e a regra estava criada, com o
> nome de “Regra Brasileira”.
>
>
>
> “Partimos daqui para a concretização de um sonho, com a pessoa que detinha o
> mais alto posto da Federação Rio-grandense de Futebol de Mesa, pioneira no
> Brasil, mas hoje, infelizmente, adormecida. Imaginávamos que traríamos
> alguma coisa nova, que todos poderiam usufruir e, em visita a outros
> estados, poderiam encontrar amigos botonistas e praticar com eles a mesma
> modalidade.” (Sambaquy)
>
>
>
> O retorno e a ruptura com a FRFM
>
>
>
> Imediatamente após sua criação a regra foi impressa. Ghizi e Sambaquy
> retornaram para o Rio Grande do Sul com vários cadernos que seriam
> distribuídos e estudados pelos botonistas gaúchos.
>
>
>
> No regresso a Porto Alegre, inesperadamente, Ghizi foi destituído do cargo
> de Presidente da FRFM que passou a ser comandada por uma equipe liderada por
> Lenine. Ghizi foi considerado um traidor pelos membros da FRFM e não teve
> mais acesso ao grupo. A Liga Caxiense ficou decepcionada com a atitude de
> Lenine e permaneceu ao lado do Ghizi para dar continuidade a implantação
> daquilo que havia sido determinado em Salvador.
>
>
>
> Sem título
>
> Lenine, criador da Regra Gaúcha
>
> e fabricante dos botões LIONE
>
>
>
> A única explicação que encontramos para esta atitude de Lenine e da FRFM,
> comandada por ele, é que as modificações propostas na nova regra poderiam
> prejudicar o seu negócio. Os botões para a prática da nova regra deveriam
> ser necessariamente de acrílico e os botões LIONE, fabricados por Lenine,
> eram de um material plástico impróprio para a regra, o “Pelopás”.
>
>
>
> Neste comentário do nosso amigo Clair Marques, sobre o Campeonato Estadual
> Gaúcho de 1967, vencido por ele em Rio Grande, podemos perceber o quanto
> Lenine era impositivo em relação à utilização dos botões fabricados por ele:
>
>
>
> “Nesse campeonato em que terminamos empatados em pontos, eu e o Ênio Voges
> fomos declarados campeões. Foi um campeonato estadual realizado em Rio
> Grande no Esporte Clube União Fabril, clube que ficava localizado em frente
> ao portão lateral do cemitério de Rio Grande e já não existe mais.  Eu
> estava na minha casa, já achando que o Lenine e os seus convidados não
> viriam mais, quando escutei o som de fogos de artifício. Fui olhar no portão
> e estavam se dirigindo para a minha casa num comboio de 5 ou 6 carros e uma
> Kombi, com bandeiras da FRFM e cartazes alusivos ao Campeonato Estadual de
> Futebol de Mesa que seria disputado na cidade. Juntamos o pessoal de Rio
> Grande, demais convidados e começamos a disputa do estadual. A finalidade
> maior deste campeonato estadual, descobri posteriormente, era promover os
> novos botões plásticos “LIONE” da fábrica do Lenine Macedo de Souza. Cada
> participante  do campeonato, tinha que retirar cinco dos botões de galalite
> do seu time e, obrigatoriamente, incluir no seu time, cinco botões da marca
> “LIONE”. Esse detalhe o Lenine não tinha comunicado a ninguém de Rio
> Grande.” (Clair Marques)
>
>
>
> As conseqüências da ruptura
>
>
>
> A Liga Caxiense de Futebol de Mesa seguiu fiel ao que havia sido tratado na
> reunião na Bahia onde, juntamente com a FRFM, se comprometeu em difundir e
> adotar a Regra Brasileira. Com a deserção da FRFM a Liga Caxiense assumiu
> sozinha esta responsabilidade. Caxias do Sul aderiu imediatamente à Regra,
> passando a modificar mesas e botões. Começou o trabalho de divulgação,
> conseguindo êxito e introduzindo a Regra Brasileira em diversas regiões do
> nosso estado, até que em 1973 foi realizado o Primeiro Campeonato Estadual
> da Regra Brasileira, na cidade de Canguçu (RS).
>
>
>
> Durante o Campeonato Estadual na Regra Brasileira, em Canguçu, foi criada a
> União das Ligas do futebol de mesa gaúcho, que acabaria dando origem a
> Federação Gaúcha de Futebol de Mesa, fundada em 1986.
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 218C
>
> Abertura do I Campeonato Gaúcho de Futebol de Mesa
>
> Regra Brasileira em Canguçu 1973
>
>
> “Quando da criação da Regra Brasileira nós pensávamos em uma unificação
> nacional de nosso esporte e nunca imaginávamos que o Rio Grande do Sul não
> abandonaria as suas origens. Todos acreditavam que poderia haver essa união,
> pois naquela época já tínhamos em meta o reconhecimento pelo CND de nosso
> esporte. Infelizmente havia o interesse comercial do senhor Lenine, que
> fabricava mesas e botões, goleiras e bolinhas. Acredito que isso falou mais
> alto e afastou muita gente do real espírito da coisa. A intenção da criação
> dessa regra jamais foi de destruir a Regra Gaúcha (nossa regra mãe), mas
> propiciar a possibilidade de novos horizontes, coisa que realmente aconteceu
> a partir dos anos setenta, quando começaram a ser realizados os campeonatos
> brasileiros da modalidade. Houve o rompimento de relações da Federação com a
> Liga Caxiense. Éramos personas não gratas. Ficamos alijados de suas
> disputas, mas seguimos a nossa ideologia e implantamos o futebol de mesa
> brasileiro em diversas cidades. Rio Grande, na pessoa de Clair Marques já
> estava unido conosco e surgia outro nome fabuloso que, transferido para
> Canguçu, levou o futebol de mesa para a região: Vicente Sacco Netto.”
> (Sambaquy)
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 218B
>
> Abertura do I Campeonato Gaúcho de Futebol de Mesa
>
> Regra Brasileira em Canguçu 1973
>
>
>
> A FRFM, que contava com diversos botonistas da elite do futmesa gaúcho, como
> Paulo Borges, Sergio Duro, Fausto Borges e Claudio Saraiva, permaneceu com a
> Regra Gaúcha, criada por Lenine, e continuou realizando seus campeonatos sem
> a participação dos adeptos da Regra Brasileira. Esta série de campeonatos
> estaduais aconteceu até o ano de 1974. Com o passar dos anos a Regra
> Brasileira, que mantinha articulação com os demais estados, graças ao
> trabalho incansável de Sambaquy, foi ganhando espaços da Regra Gaúcha
> provocando a dissolução natural da Federação Rio-grandense de Futebol de
> Mesa que teve seus últimos registros oficiais no ano de 1980.
>
>
>
> Apesar deste problema institucional, a Regra Gaúcha continuou sendo muito
> praticada no Rio Grande do Sul e, a partir dos anos 80, muitos botonistas
> criaram departamentos de futebol de mesa nos clubes de Porto Alegre,
> especialmente no Grêmio de Futebol Porto Alegrense e no Sport Clube
> Internacional.
>
>
>
> Clair Marques
>
> Clair Marque de Rio Grande RS,
>
> Campeão Gaúcho em 1967 na Regra Gaúcha
>
>
>
> A Regra Brasileira evoluiu de forma espetacular em nosso país. No Sul, a
> partir da iniciativa de Sambaquy, foi tomando cada vez mais o espaço da
> Regra Gaúcha em vários municípios, inclusive, em muitos deles a regra foi
> adaptada para a modalidade “Cavado”, pois na sua origem, a regra foi
> preconizada somente para a modalidade “Liso”.
>
>
>
> 1º campeonato brasileiro -RGS equipe 11l5
>
>
>
> Outros nomes também deram grande contribuição e foram fundamentais para o
> crescimento da Regra Brasileira no Rio Grande do Sul, entre eles lembramos:
> Gilboé Lângaro Mendes em Passo Fundo, Luiz Alfredo de Boer em Rio Grande,
> Claudio Schemes em Porto Alegre, Audir Schelle e Luiz Henrique Roza em
> Pelotas. Especialmente no Rio Grande do Sul a modalidade “Cavados” chegou a
> ser predominante, mas agora os “Lisos”, que sempre mantiveram sua tradição
> em Caxias do Sul, aparecem como a grande “coqueluche” em outros municípios
> do estado.
>
>
>
> Caxias no camp bras
>
> Ângelo Slomp, Walmor Medeiros, Jorge Campagnoli, Adauto Sambaquy e Airton
> Dalla
>
> Rosa no I Campeonato Brasileiro de Futebol de Mesa em Salvador na Bahia, em
> 1970
>
>
>
> A nível nacional, os campeonatos começaram somente com a utilização de
> botões lisos. Com a adequação da regra para os cavados especialmente nos
> estados centro-sulistas os campeonatos passaram a ter nas mesas, técnicos
> com botões cavados jogando contra técnicos com botões lisos, dando origem a
> categoria “Livre”.
>
>
>
> Em 1988, graças ao trabalho incansável e incessante de um grupo de
> abnegados, entre os quais: Antonio Maria Dellatorre, em São Paulo, Roberto
> Dartanhã, na Bahia, Antonio Carlos Martins no Rio de Janeiro, Claudio
> Schemes no Rio Grande do Sul, José Ricardo Caldas e Almeida, em Brasília,
> liderados pelo “Papa” do futebol de mesa brasileiro, Geraldo Décourt, o
> futebol de mesa é reconhecido como esporte pelo Conselho Nacional de
> Desportos. A partir daí o CND passa a considerar três regras oficiais de
> futmesa no Brasil: a Regra Brasileira Um Toque Disco, criada na Bahia em
> 1967, a Regra Paulista 12 Toques Esfera de Feltro e a Regra Carioca 3 Toques
> Esfera de Feltro. Como a Regra Gaúcha não estava vinculada a Federação
> Gaúcha de Futebol de Mesa e a Federação Rio-grandense havia sido extinta, a
> mesma não foi oficializada.
>
>
>
> Mesmo não sendo reconhecida pelo CND a Regra Gaúcha continuou sendo bastante
> praticada no Rio Grande do Sul e, além da retomada dos campeonatos estaduais
> da regra, a partir de 1997, outros eventos significativos continuaram
> acontecendo pelo estado. Em 2007 foi criada a Liga Gaúcha de Futebol de Mesa
> que até os dias de hoje vem unindo os praticantes da Regra Gaúcha, criada
> por Lenine, para difundi-la e fomentar a prática do Futebol de Mesa.
>
>
>
>
>
> sambaquy e jposé inacio sergipe
>
> Adauto Sambaquy do Rio Grande do Sul jogando contra José Inácio
>
> de Sergipe no Primeiro Campeonato Brasileiro de 1970
>
>
>
> De 1970, do 1° Campeonato Brasileiro, em Salvador BA, vencido pelo baiano,
> que representava Sergipe, Átila de Menezes Liza, até 1990, no 18° Campeonato
> Brasileiro, no Rio de Janeiro, vencido pelo carioca Júlio Cesar Nogueira, as
> competições foram na modalidade livre. De 1991, do 19° Campeonato
> Brasileiro, em Vitória ES até 2011, no 38° Campeonato Brasileiro, em Recife,
> as competições foram divididas nas modalidades “Liso” e “Livre”.
>
>
>
> Com a evolução da modalidade “Liso” nos estados centro-sulistas surge a
> preocupação com um possível “esvaziamento” nas competições nacionais da
> modalidade “Livre (Cavado)” quando realizada concomitantemente com a
> modalidade “Liso”. Isto já pode ser observado claramente, especialmente nas
> duas últimas edições: em Porto Alegre 2010 e Recife 2011, quando muitos
> botonistas, especialmente gaúchos, tradicionalmente adeptos dos “cavados”,
> disputaram a modalidade “Liso’. Na última Assembléia Geral da CBFM o tema
> foi discutido e foi aprovada uma proposta apresentada por Daniel Maciel do
> Rio Grande do Sul onde os campeonatos brasileiros 2012 serão realizados em
> datas e locais distintos para as modalidades “Liso” e “Cavado”, em caráter
> experimental.
>
>
>
> Cláudio Schemes e Adauto Sambaquy
>
> Cláudio Schemes e Adauto Sambaquy
>
> nos 70 anos do S C Internacional
>
>
>
> Para nós, o que fica bastante evidente com estes fatos é que, independente
> do juízo que possamos fazer, Lenine Macedo de Souza e Adauto Celso Sambaquy
> foram figuras fundamentais para que o nosso futmesa seja o esporte de alto
> nível que é nos dias de hoje.
>
>
>
> Lenine foi um idealista que fundou a primeira associação, a primeira
> federação do esporte no Brasil e foi um dos precursores do esporte no sul do
> país. Talvez se tivesse feito uma leitura diferente sobre a introdução da
> Regra Brasileira no Rio Grande do Sul o destino da Federação Rio-grandense
> de Futebol de Mesa pudesse ser diferente, abraçando as duas regras.
> Inclusive poderia ter visto isto como uma oportunidade e não, como nos
> parece, uma ameaça ao seu negócio.
>
>
>
> Sambaquy, mais do que um idealista, foi um abnegado, nutrido pelo sonho de
> ver o esporte sendo praticado de forma competitiva a nível nacional, foi
> fiel aos seus amigos e levou em frente o projeto de unificação das regras
> possibilitando que o futmesa brasileiro seja um esporte de alto nível e
> reconhecido pelo CND. Em frente às dificuldades encontradas no retorno ao
> Rio Grande do Sul, juntamente com Gilberto Ghizi, foi corajoso e seguiu em
> frente, pois o projeto de unificação já não era mais dele ou de Ghizi, era
> do futmesa brasileiro. Não fosse sua atitude como, seria a evolução do nosso
> futmesa? Sem nenhuma sombra de dúvidas muitos contribuíram para a evolução
> do esporte no Brasil, mas Adauto Celso Sambaquy sempre deverá ser lembrado
> como um dos maiores, senão o maior nome desta história tão maravilhosa do
> nosso futmesa.
>
>
>
> Obrigado amigo Sambaquy e salve o futmesa brasileiro!
>

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BA – Bahia na Globo RJ – Copa da Federação Livre

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